Revista Ortoclínica Volume III Número 2 Outubro 2014 - page 12

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Introdução
As desarmonias esqueléticas podem ser descritas como resultantes de um
crescimento craniofacial desproporcional e de etiologia multifactorial. Os fatores
que as determinam são diversos, e frequentemente apresentam-se associados
entre si. Dentre os principais fatores etiológicos da Classe III destacam-se o padrão
genético, as disfunções endócrinas, a matriz funcional e o crescimento aposicional.
1
O
prognatismo
mandibular
em
desenvolvimento
apresenta
um
potencial
genético pré-determinado, que não será alterado pelo tratamento precoce.
2
Um
grande número de jovens sofrem alterações estéticas desfavoráveis durante
uma fase onde a estética constitui um fator de relevância psíquica importante.
3
A má oclusão de Classe III é caracterizada por uma discrepância esquelética ântero-
posterior, podendo estar associadas a uma retrusão maxilar, uma protrusão mandibular
ou uma associação entre os dois problemas. Frequentemente está associada a
alterações transversais podendo ou não estar acompanhada de alterações verticais.
3, 4
O comprometimento estético destes pacientes é um dos fatores que os motiva
a procurar o tratamento ortodôntico. Quando o paciente é adulto e o crescimento
finalizou, o tratamento deve ser decidido entre a camuflagem ortodôntica e o
tratamento ortodôntico-cirúrgico-ortognático (TOCO), tendo sempre em conta
que a camuflagem com a tentativa de correção da má oclusão esquelética severa
só com aparelhos ortodônticos pode dificultar o tratamento cirúrgico posterior.
5, 6
Existem procedimentos ortodônticos importantes para a planificação do tratamento
ortodôntico-cirúrgico das Classes III. Embora os traçados cefalométricos demonstrem
a extensão das displasias esqueléticas, o resultado estético pós-cirúrgico não depende
somente da sua quantificação devido a, nem sempre, um resultado esqueleticamente
favorável apresentar-se esteticamente aceitável, face à grande variação de espessura dos
tecidos moles faciais e peri-orais.
3
A posição natural da cabeça durante o exame do paciente
e os registros fotográficos e radiográficos visam também a otimização do planeamento.
3, 5, 7
A determinação da posição de relação cêntrica é fundamental no diagnóstico da Classe
III, pois uma posição mais anterior da mandíbula na posição de intercuspidação máxima,
muitas vezes influenciada por interferências oclusais, pode simular um prognatismo
bem mais acentuado daquele realmente existente na posição de relação cêntrica.
8
O tratamento ortodôntico pré-cirúrgico tem como objetivo preparar a dentição para
a correção cirúrgica, de modo a que os arcos dentários fiquem bem coordenados
na posição pós cirúrgica. Nesta fase, os objetivos ortodônticos geralmente são
similares àqueles envolvidos na finalização da ortodontia convencional, ou seja,
realiza-se o nivelamento final, boa intercuspidação, finalização e contenção
.
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